PHIL RAJZMAN FAZ SUCESSO COM PRODUÇÃO DE PRANCHAS

As manobras clássicas e progressivas ou modernas do bicampeão mundial de longboard, Phil Rajzman, são ainda mais enaltecidas quando o equipamento de competição é desenvolvido pelo próprio atleta. Movido a desafios e devido à pandemia, que o impossibilitou de trazer novos equipamentos do exterior, há um ano, o longboarder passou a fabricar pranchas para uso próprio no Rio de Janeiro. Assim, amigos e participantes de suas clínicas (Surf Experiences) logo iniciaram os pedidos e, pela primeira vez no Brasil, nasceram as pranchas assinadas pelo atleta que se transformou rapidamente em um negócio promissor. Atualmente, as encomendas chegam de várias partes do país, com previsão de entrega para pelo menos dois meses. Vale ressaltar que há anos Rajzman tem pranchas assinadas junto a Hobie, pioneira no mercado de pranchas no mundo, com sede na Califórnia (EUA).

“Aprendi a produzir minhas próprias pranchas em 2007, na Califórnia, junto com a Hobie e renomados shapers. Mas é a primeira vez que faço pranchas sem ter uma empresa por trás, porque quando começou a pandemia ficou inviável trazê-las de lá”, explica Rajzman, que desde 2020 passou a desenvolver equipamentos para uso individual e para competição, de acordo com a necessidade do cliente, mas sobretudo para longboard, sua especialidade.

Representando o Brasil na primeira divisão do circuito mundial de surfe desde 1997, Rajzman sempre se interessou pelo aprendizado dos shapes, pela criação de novos equipamentos e sobre a importância da prancha certa para cada estilo. Para tanto, aprendeu e tem como referência o trabalho de profissionais de peso do segmento nos Estados Unidos e Europa, entre eles, os americanos Terry Martin (falecido em 2012) e Gary Larson e o inglês Ben Skinnerconhecido como Skin Dog. 

Uma prancha de longboard, mais conhecida como pranchãoprecisa ter ao menos 9 pés, medida padrão internacional equivalente a 2,70 metros, e são cinco os modelos by Phil Rajzman: Blue Monkey (Clássico), Yellow Monkey (Clássico Competição), Red Monkey (Híbrido), Purple Monkey (Híbrido Competição) e Orange Monkey (Progressivo). As fabricadas pelo atleta são pranchas de alto rendimento e para todos os níveis – avançado, intermediário e iniciante.

Já para os iniciantes, Rajzman também desenvolve equipamentos em parceria com a Maré Pranchas, uma das maiores fabricantes no Brasil de pranchas soft e bodyboards, com 32 anos de tradição. “As que desenvolvo com a Maré são pranchas mais macias (soft board) e ideais para iniciantes e escolinhas de surfe. O meu modelo tem uma característica diferenciada com fundo rígido e quilhas de encaixe removíveis que possibilita um surfe com performance melhor”, conta. 

Vários fatores são levados em consideração, sobretudo o local escolhido para surfar, a habilidade e o desenvolvimento do surfista e o material a ser usado na fabricação do equipamento. Rajzman destaca que alguns detalhes são imprescindíveis para compor uma boa prancha e vai muito além do design. “Estou criando blocos de curvas e densidades diferentes, com estrutura de longarina (madeira que fica no meio do bloco), estrutura de laminação formada por tecido importado de alta qualidade mais resina, que tornam a prancha mais resistente e fazem a diferença quando é colocada na água. Tudo é uma combinação de fatores para a produção de uma prancha ideal, que atenda a necessidade de cada um no desenvolvimento no surfe”, conta.

Sustentabilidade com performance – Paralelamente, o carioca desenvolve quilhas com a estrutura central de madeira, a partir de paletes reciclados. As quilhas exercem enorme influência no desempenho dos surfistas por regular o fluxo e a pressão da água, dão velocidade e garantem maior controle da prancha. “Geralmente a quilhas são feitas com 100% de fibra e resina, o que as deixam mais rígidas. Já as de madeira proporcionam um maior controle de flexibilidade e um melhor desempenho na hora de surfar, além da questão ecológica que sempre foi uma preocupação presente na minha trajetória.”

Faça chuva ou sol, calor ou frio, diariamente os frequentadores da praia de Geribá, em Búzios (RJ), podem acompanhar os treinos do atleta com uma de suas pranchas ou testando novos equipamentos. ‘Curto muito a filosofia polinésia do Duke Kahanamoko (lendário surfista havaiano), pai do surfe moderno, que tem uma frase que define bem o que acredito que o “melhor surfista é aquele que se diverte dentro da água”, independentemente do tamanho do mar, do nível do surfe e é isso que importa para mim”, finaliza.

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